Quando os erros estiverem todos gastos,/ Estará sentado, como último companheiro,/ Em nossa frente o Nada.
B. Brecht

Sábado, 25 de Fevereiro de 2012

um balcão na boca

Esta noite sonhei que a minha boca era um café, o tecto espelhado que reflectia de forma quase perfeita o que se passava nos trinta e dois bancos encarnados que rodeavam o balcão em meia lua. Havia um banco vazio e noutro um homem de platina, numa das pontas estava um bêbado a passar mal, de vez em quando batia com a testa no balcão. No tecto espelhado estes personagens não apareciam, em vez do seu reflexo exacto, estavam as mesmas pessoas mas com uma aparência normal e no reflexo do banco vazio havia alguém sentado.

Todos conversavam de forma animada,como se se conhecessem há muito. Uns comiam, outros bebiam, outros nem sim nem não.

Evidentemente que, com o passar do tempo, tudo se foi tornando desagradável, incómodo, até me encontrar atolado num pesadelo horrível. Tudo começou quando a primeira pessoa se levantou. Parecia presa ao seu banco e tinha que fazer muito esforço para se arrancar dali. Apercebi-me que havia qualquer coisa que a ligava ao assento, uma veia ou uma qualquer víscera. Foi quando as pessoas começaram a sair que tudo piorou. Gritos de dor, sangue a escorrer dos bancos para o chão e cada vez que alguém conseguia separar-se do banco desaparecia.

Acordei a pensar que tenho que ir ao dentista.

0 pardaladas:

Enviar um comentário